Pioneirismo na produção de cana-de-açúcar
- Karine Pagliarini
- 27 de set.
- 3 min de leitura

As histórias de Ademir Ferreira de Mello e da cana-de-açúcar no Triângulo Mineiro se misturam. Em 1984, quando iniciou o plantio na Fazenda Boa Esperança, em Campo Florido, foi um dos pioneiros da cultura na região. Ao longo de 40 anos, ele viu a paisagem mudar e a região se tornar referência na produção de cana-de-açúcar, liderando o ranking de Minas Gerais. A colheita de sua fazenda contribui para este sucesso da região. Com uma boa correção de solo e muito “capricho” na hora de colher, a Boa Esperança alcançou o título de uma das mais produtivas do Brasil.
A atuação de Ademir na expansão da cana-de-açúcar no Triângulo Mineiro vai além da alta produção. Há 25 anos, ele foi um dos fundadores da Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Campo Florido. Com mais de 300 associados, a Canacampo gera emprego e renda e, também, é uma das realizadoras da Megacana, a maior feira do setor sucroenergético do estado.
Descendente de europeus que vieram ao país para trabalhar em cafezais na região de Ribeirão Preto, Ademir se orgulha do seu legado. Na rotina de trabalho, conta com a parceria de seus três filhos e presencia o primeiro de sete netos também trilhar o caminho na agricultura.
Como iniciou sua história na agricultura?
Minha família sempre foi do agro, eram imigrantes europeus que vieram trabalhar na lavoura de café na região de Ribeirão Preto. Eu comecei minha vida lá, nascido no cafezal. Nos anos 70, viemos para Campo Florido. Eu e meu irmão sempre trabalhando com cereais, plantando soja, milho, feijão. Em 1984, quando iniciou a Usina Santo Ângelo, comecei como fornecedor. Em 1998, trabalhamos para vir a Usina Coruripe para a região.
Quando o senhor percebeu o potencial desta região para o plantio de cana?
Logo no início. A região é muito boa, acho até melhor que Ribeirão Preto porque aqui temos um pouco mais de altitude. A região é muito avançada na agricultura, tem terras planas e chove bem na hora certa. Quando a cana-de-açúcar veio para o Triângulo Mineiro, era mais uma opção. Com a confiança das usinas, veio o crescimento que a gente queria. É prazeroso fazer parte desse desenvolvimento.
Hoje a sua fazenda é uma referência no país?
Sim, a Fazenda Boa Esperança está entre as mais produtivas do Brasil. O volume de produção por hectare fica sempre acima dos três dígitos. Temos uma participação significativa na entrega de cana nas usinas Coruripe e Santo Ângelo. É preciso investir em pesquisa e em melhoramento, senão você desaparece. A cana precisa ser bem tratada para trabalhar com raiz profunda. O principal fator é a correção de solo, além de fazer o controle de herbicida e ter “capricho” na hora de colher. Assim, você tem uma cana com um período de vida maior e com produção alta.
Como surgiu a ideia de fundar a Canacampo?
Com a chegada da Usina Coruripe, tivemos a necessidade de ter uma associação para negociar. Então, a Canacampo nasceu junto com a Usina. Na época éramos seis produtores e, com muito trabalho, fizemos a sede e hoje a Associação é muito organizada, com uma diretoria atuante. A Canacampo tem trabalhado muito pela sustentabilidade, com melhoramento de variedades, um sistema de combate a incêndio, entre outras ações. Nossa Associação é um exemplo, a maior do estado.
Como o senhor avalia os avanços na agricultura?
Na minha vida na agricultura, participei de duas transformações: a primeira foi o plantio direto em cereais, que demorou uns 15 anos para se consolidar, e depois a tecnologia da transgenia. Agora estamos tentando a terceira transformação com os produtos biológicos, que ainda deve levar uns 20 anos. Vou tentar presenciar estas três inovações.
Quais os planos para o futuro?
Estamos com o projeto de uma indústria no município de Prata, um investimento conjunto com o Grupo Queiroz de Queiroz e JP Andrade Agropecuária. A Prata Bioenergia está começando os trabalhos e eu tenho certeza de que será uma indústria exemplar para a próxima geração dessas três famílias.
Qual legado o senhor quer deixar?
Temos trabalhado muito e a sucessão é importante. Meus três filhos estão no negócio, cada um em uma função. Tenho sete netos e um já está atuando na área. Na nossa família, a pessoa tem que trabalhar e produzir com responsabilidade. Tem que ser por mérito e não por ser filho ou neto do patrão. Eu acompanho de perto, trabalho todos os dias. Me dediquei tanto que, às vezes, esqueço do lazer. Mas é muito prazeroso, sou uma pessoa realizada na vida.
Com informações e imagens: FAEMG







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