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Cerâmica de Rosário conquista primeira Indicação Geográfica do Maranhão

8 de set.
3 min de leitura

O Maranhão acaba de entrar no mapa das Indicações Geográficas (IGs) brasileiras. Com o apoio do Sebrae, a cerâmica produzida no município de Rosário recebeu o reconhecimento do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), na modalidade Indicação de Procedência (IP), tornando-se a primeira IG do estado. A conquista valoriza uma tradição secular, protege o saber-fazer dos oleiros e pode abrir novas oportunidades para os artesãos.


“São mais de 30 anos com a mão na massa. Aqui em Rosário isso é de geração em geração, é uma tradição secular. O barro é a nossa vida. Como sempre digo, não é só fazer vaso, é manter viva a história da nossa cidade”, afirma Amarildo Silva, presidente da Associação dos Oleiros de Rosário (ASSOR), responsável pelo pedido de registro junto ao INPI.


O processo para obtenção da IG foi resultado da organização dos oleiros e contou com apoio do Sebrae Maranhão e do Governo do Estado. Para obter o reconhecimento, foi necessário comprovar ao INPI que Rosário é conhecida como centro produtor de cerâmica e apresentar documentos que descrevessem e comprovassem as características da produção local.


“O pedido foi para Indicação de Procedência, que é quando o nome da cidade fica famoso por causa do produto. Foi um trabalho coletivo de todos os oleiros”, explica Amarildo. A Indicação de Procedência corresponde ao nome geográfico que se tornou conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou prestação de serviço.


Com a primeira IG, o Maranhão passa a integrar oficialmente o circuito brasileiro de territórios que utilizam a origem geográfica como instrumento de diferenciação, proteção e valorização de produtos e serviços.


“Agora só a cerâmica feita aqui em Rosário, do nosso jeito tradicional, pode usar o selo de Indicação de Procedência Rosário. Isso nos protege da concorrência desleal, de gente que copia e vende como se fosse nossa”, afirma Amarildo. Ele destaca ainda o impacto esperado sobre a percepção de valor do produto. “Valoriza nosso trabalho, nosso preço fica mais justo, e o cliente tem a garantia de que está levando uma peça original, com identidade e qualidade.”


O Brasil tem atualmente 167 Indicações Geográficas nacionais registradas pelo INPI, sendo 133 Indicações de Procedência e 34 Denominações de Origem. No artesanato, são 21 IGs reconhecidas, envolvendo 265 municípios de 14 unidades da Federação, nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.


Além da proteção do nome geográfico, uma IG pode contribuir para ampliar a visibilidade de um território e estimular novas estratégias de comercialização. No caso de Rosário, os oleiros esperam que o reconhecimento ajude a aproximar a produção artesanal de outros segmentos.


“A expectativa é a melhor possível. Agora com o selo do INPI, nossa cerâmica vai ganhar o Brasil. Esperamos atrair mais turismo aqui para as olarias, mais encomendas de arquitetos e lojas de decoração, e até exportar”, conta o presidente da ASSOR.


O reconhecimento também pode ajudar a aproximar as novas gerações da atividade. Em uma produção marcada pela transmissão de conhecimentos entre familiares e pela permanência de técnicas tradicionais, a valorização econômica do ofício é vista como uma maneira de preservar o patrimônio cultural.


"Principalmente, esperamos que nossos jovens queiram ficar na profissão, porque viram que ser artesão de Rosário agora é ter uma profissão reconhecida e protegida por lei. É orgulho para nossa cidade". Comenta Amarildo Silva, presidente da Associação dos Oleiros de Rosário (ASSOR).


Com informações e imagens: Agência Sebrae


 
 
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